top of page
ChatGPT Image 12 de ago. de 2026, 17_35_36.png

​​​​

Para Deleuze e Guattari, o capitalismo, além das características já mencionadas por Marx, também produz processos de subjetivação: formas de desejar, sentir, perceber e se relacionar.

​

Pense, por exemplo, na invenção dos fones de ouvido. É uma nova forma de habitar a cidade, de poder sair na rua ouvindo música; sua vida agora pode ter uma trilha sonora.

​

A produção de subjetividade capitalística é um processo que opera como uma “máquina” que captura a subjetividade para garantir sua própria reprodução, alienando o indivíduo através de lógicas de quantificação, comparação, desempenho e consumo contínuo, por exemplo, na figura do indivíduo competitivo, autossuficiente e indiferente aos problemas coletivos.

​

O indivíduo, nesse sentido, é um produto, é produzido nas relações de poder e, para os autores, não deve ser compreendido em termos de falha moral ou pessoal. Quando uma pessoa vai a público se declarar contra o direito ao voto das mulheres, ela não está sendo uma pessoa “má”; ela está cumprindo uma agenda política do capitalismo global integrado no seu respectivo território e atendendo a interesses econômicos e políticos de determinados grupos — dos quais eu não faço parte e espero que você, que está lendo, também não.

​

​

“Amor pela família” ❌
Amor pela economia. ✅

​

​

O capitalismo conecta materialmente milhões de pessoas em redes de produção, consumo e comunicação, mas, ao mesmo tempo, incentiva cada uma delas a imaginar que vive e fracassa sozinha.

 

Privatizam-se os lucros, socializam-se os adoecimentos mentais e individualizam-se as falhas, erros etc. As metas atingidas são comemoradas coletivamente, mas, se você errar em algum procedimento do seu trabalho, o erro é só seu. Problemas produzidos socialmente passam a ser vividos como fracassos particulares: falta de esforço, inadequação individual, incapacidade de competir ou administrar a própria vida.

​

Contudo, não se trata de uma simples dissolução do indivíduo em um coletivo ou numa massificação. A proposta de Deleuze e Guattari é pensar uma individualidade que seja impessoal; para esta, eles dão o nome de hecceidade.

​

Porém, é preciso evitar pensar sobre isso de forma simplista, como se existissem essas individualidades “de um lado” e sujeitos “do outro”. É preciso também destacar a prudência necessária nesse processo: “Não é necessário guardar um mínimo de sujeito para dele extrair materiais, afetos, agenciamentos?”

​

“Há um modo de individuação muito diferente daquele de uma pessoa, um sujeito, uma coisa ou uma substância. Nós lhe reservamos o nome de hecceidade”.

​

Você já ouviu falar sobre hecceidades quando era criança, nas histórias que começavam com “Era uma vez...”. Quando dizemos “Que calor!”, “Que vida!”, estamos nos referindo a uma individuação muito particular.

​

A hecceidade é uma individuação coletiva. Um grupo de pessoas vendo o pôr do sol. A composição de diversas intensidades.

​

É uma forma de abertura de nossa percepção para este nível da realidade, da qual os indivíduos são produto. É onde todo indivíduo é já a sociedade.

vilégios), na casa de uns amigos, ou da sua família, ou em um restaurante de que você gosta.

​​​

bottom of page